quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Diario de uma Viagem
Pala de vagabundo na certa.
Engraçado que só fomos nos dar conta disso no meio do caminho.
Mas convenhamos, não havia nada de mais interessante pra fazer, e pala de vagabundo por pala de vagabundo eu já dou todo dia acordando depois do almoço.
Sendo assim, partiu o bonde, Boladão de Amor.
Ao que parece estavamos indo para o tal Forum Social Mundial Tematico, mas pelo menos uma coisa eu aprendi com a experiencia: essa parada é toda desorganizada, mais da metade das coisas não vale a pena, e no final das contas eu aproveitaria muito mais conhecendo Salvador.
Depois de uma viagem que partiu atrasada e lerdeou por 35 horas até Salvador, regada a cachacinha artesanal mais do que fantastica, comprada de um tio muito firmeza no Espirito Santo, chegamos ao alojamento, também conhecido como “casa” pelo periodo que ficamos por lá, pelas bandas da favela do Garcia.
Partiu Pelourinho direto, depois de um disputadissimo banho no banheiro nojento, matar a fome e o desejo de acaraje na primeira Baiana mal humorada que encontramos. O Pelourinho me lembrou as ruazinhas de Parati, só que regadas a axé e batuque estilo Olodum. Os pedintes de Salvador são os mais insistentes que já vi, e nesse ponto começamos a perceber que a cidade lá é um tanto perigosa, ainda mais pra quem dá pala extrema de turista. Entramos num show de axé-pagode-samba que mandou muito, e de lá surgiu um negão que arrastou o bonde todo pra uma boate afro, lugar maneiro, noite caída, partiu caminha que o dia seguinte seria longo.
Acordar cedinho e partir pra praia, Stella Mares foi a primeira parada, linda demais, e razoavelmente vazia, precinhos camaradas e a pior Boehmia de todo o universo. Logico que esqueci o protetor solar e logo fiquei da cor do sashimi de salmão. Caroninha na volta. Seguimos pro Mercado Modelo, bem lugar de turista, vale a pena ir, mas pra gastar no máximo uma horinha, e almoçar a maravilhosa e alucinógena moqueca de peixe (não tivemos peito pra provar arraia), vendo os capoeiristas se apresentarem.
Alguma coisa nessa moqueca, ou na gente mesmo, nos deixou muito feliz e retardadas, do tipo que ri de tudo e se amarra em qualquer coisa, a verdade é que estávamos puramente felizes e pronto.
Tinham recomendado o por-do-sol no Museu de Arte Moderna, então seguimos para lá, haribôzando geral, nesse ponto nos perguntávamos porque levar tantas roupas na mala se no final das contas passavamos o dia todo de biquine e canga. Sorte das sortes escolhemos logo o dia que tinha concerto de jazz no museu logo depois do por-do-sol, precinho bacana, só seria melhor se eu não estive sem minha carteirinha de estudante. Lugar maravilhoso, vista perfeita, mojitos a R$ 5,00 (!!!), musica boa, porem demorou a animar, decidimos ir embora, afinal o dia tinha sido longo e a noite ainda só estava começando, quando começou um bom sambinha e ficamos mais um pouco. Surpresa das surpresas, pra acabar com o aperto no meu coração de que não fosse acontecer, “oi, blábláblá, bom te ver, até mais”, bom, acho que é isso, então tá, partiu.
De volta a “casa” o dilema era para onde ir, o Pelourinho não tinha encantado muito a gente, estavamos visando um tal de Rio Vermelho, que dizeram ser o point local. Chegamos lá uma pracinha, varios bares, pouca musica. Encontramos uma roda de samba boazona de um grupo de amigos que se reunem ali todo ultimo sabado do mês, e nos acabamos até os músicos já acabados de tocar desde as seis da tarde pararem. Sim, um dos baianos me sacaneou dizendo que tem de ter samba no pé. Eu não tenho samba no pé mais me divirto e pronto, oras. Rodamos, rodamos, nada convidativo. Passamos na porta de uma boate e praticamente correram atrás de nós oferecendo entrada grátis, com o plus de drinks gigantescos serem baratinhos, demorô. Desabafo era o nome do local, que poderia se chamar apenas Desaba, já que a musica parava toda hora, o barman quase incendiou o bar e não tinha meia duzia além de nós. Mas como não precisamos de muito pra fazer a festa corremos ao DJ, pedimos um funk e nos acabamos de dançar até percebemos que o lugar tinha enchido. Salvamos a noite de uma boate falida e fomos embora. De volta a praça baixou um espirito Cantareira nos individuos, e tipo, nada contra ir de onibus passar o fim de semana em Salvador, mas fazer isso pra ficar na Cantareira é demais pra mim. Surge três caras, falando em espanhol com a gente, perguntando de sabiamos onde ficava um lugar que era borracharia de dia e boate a noite (?), mas não estendiamos bulhufas do que diziam, já estavamos nos perguntando se estavamos doidonas demais pra entender o espanhol da figura até que “na moral, que lingua você tá falando?” “italiano!!” “aaah!!”. Voltamos pro Garcia, comemos um pão com ovo e queijo (que vinha com alface e milho, alguem me explica?) e descobrimos no alojamento o que tinhamos rodado a noite toda a procura: uma roda de samba mega animada e alto astral, que me fez adiar o já desejado soninho mais um pouco, fui pra “cama” com o dia amanhecendo na janela de vista incrivel da nossa sala.
Acordamos cedinho, mas ninguem teve pique de levantar, lerdeamos na cama mais um tempo, o que tornou possivel a segunda surpresa (…).
A praia do dia seria Itapoan, bem mais cheia do que a do dia anterior, mas também muito bonita. Comemos uma deliciosa carne de sol com aipim frito e aquela farofinha, e partimos pra sesta na areia.
“Passar uma tarde em Itapuan
Ao sol que arde em Itapuan
Ouvindo o mar de Itapuan
Falar de amor em Itapuan...”
Por-do-sol perfeito, com direito a aplausos e demais harobôzagens.
Na volta a dificuldade de encontrar o ponto de onibus nos fez desembocar no acarajé da Cira, simplesmente o melhor de todos, fresquinho, com a massa que desmancha na boca.
Por algum motivo pouco explicável nessa noite voltei ao decepcionante Rio Vermelho, com o agravante de ter comigo somente 10 reais, acho que foi medo de perder uma noitada que poderia ser A Noitada de Salvador, vai saber... Voltei rapidinho, para encerrar a noite num buteco ali perto e comer o já de praxe pão com ovo (dessa vez sem milho e alface, e com muito queijo).
Chegamos a conclusão que independente do que dizem Salvador é um lugar pra se curtir de dia, porque fazer noitada ali é tenso.
Saudades que se matam pela metade, cabeça que vira do avesso, como só as viagens distantes podem fazer, é muito facil manter o pés no chão quando se está no proprio chão, nessas terras de ninguém tudo parece tão simples, e o bom senso é o primeiro abandonar o barco.
Manhã do ultimo dia, ir pra praia, depois passeio fotográfico no Pelô. Invertemos os planos, primeiro Pelô, depois praia. Atrasamos, o bonde saiu pesado, fomos no Mercado Modelo de novo, perdemos um longo tempo lá pra conseguir juntar todo mundo de novo, uma batalha pra conseguir um consenso de onde comer, por mim já iriamos direto pra praia, comemos uma comidinha mais ou menos pelo centro, desencanamos do Pelô e de metade do bonde e partimos pra praia da Barra. Foi o melhor mergulho de toda a viagem, a praia era mais suja do que as outras, mas o mar era perfeito, sem banco de areia, e com ondas na medida certa (principalmente na medida certa pra me dar varios rolas). Esqueci de comentar, mas o mar de Salvador é mega salgado, meus olhos ficaram vermelhos de uma forma que nem todos os baseados do mundo conseguiriam, e nadei tanto até que tive cãibra nas duas panturrilhas, e me toquei que já tinha dado de mar. Fim de tarde maravilhoso, e otima despedida para quem se conheceu no Ano Novo no mar de Copacabana.
Chegou a hora de ir embora, coração apertado, o onibus atrasado, correndo boato de que só partiria no dia seguinte, eu fazendo figas para isso, mas não teve jeito, todas as coisas boas tem um fim.
Eu vou sentir saudades.
E cá estou eu de volta, tentando botar novamente os pés no chão.
domingo, 12 de julho de 2009
"Não trepe na janela"
Adentramos, “Bien vinda ao Hotel Paris, chica!” diz Gabi.
Tomo um encontrão de um cara, que derruba quase meia cerveja o meu braço.
Nice, essa noite promete.
Na trilha sonora indo de o que ocupou boa parte do meu baú adolescente, musiquinhas pornográficas que por algum motivo pouco explicável inundavam as festinhas infantis nos anos 90, clássicas desse tipo de festa, até Tim Maia, Los Hermanos, Xuxa e uma animada quadrilha da galerinha que “só sai daqui quando o DJ também sair”.
Poucos espaço, muita gente, todo mundo meio doidão, seja de caipirinha à três reais, fumaças multicoloridas ou sei lá mais o que. A paixão autoconsuptiva e todas as formas de amor rolando soltas. Historias que tem tudo para virarem lendas urbanas (“não trepe na janela”). Novas tradições, e muitos “caracá!”, “que que eu fiz!?”, “meoldeos!” e “uhuuu!”.
Sobre as roupas portadoras de todo o dilema do post anterior duas situações.
(1) Um amigo me abraça pela cintura e percebo que ele esta sentindo sob a blusa a super-meia-calça-quase-que-sutian, não consigo me controlar e tenho de informá-lo “isso é uma meia, não uma calçola-super-grande, tá?”. ¬¬
(2) Conversas de fim de noite, Garoto 1 “ Que maneira essa sua blusa, cheia de corações, isso mostra que você é uma pessoa aberta ao amor (em estilo “pegael”)”. Garoto 2 “É...maneira. Onde você comprou? Sabe, acho que fui eu que desenhei essa blusa. Eu sou designer, sabe?”. O.o
Seis da manhã na Presidente Vargas, vendo a Candelária ainda iluminada com o fundo de um nascer do sol fantástico, e esperando o ônibus na faixa errada, até sermos informadas, por dois outros admiradores da paisagem também em fim de noite, que o onibus passava era do outro lado, no sentido contrario, “Olha lá, tá vindo um. Corre!”. Eles eram legais, não possuíram nomes, nunca mais os veremos.
É queridos, a noite prometeu, e cumpriu.
(E como!)
sábado, 4 de julho de 2009
A resposta.
em meio a musicas, cervejas,
poemas e cigarros,
as cartas estão na mesa:
suas mentiras,
meus erros,
nossas imaturidades
Escondido em nossas mangas
o que nem eu
e nem você sabemos:
o porque de tudo isso.
Sem maiores motivos
só resta o de sempre:
"Boa noite,
bata o portão."
(prefiro o seu, poesia boemia não é a minha.)
Entre cervejas, DRs e poemas.
Entre musicas e cigarros
O ilegivel é real ao coração
Como pernas entrelaçadas
A verdade se revela
Ao fim da noite
Não recuse meu convite
Tava presente desde o inicio
Sem Green Label
Não leia até entrega-lo.
Se o que eu quis dizer é real
Como a nota da avaliação
Não me deixe dizer tchau
O que eu não digo
é a fala mais amoral
No beijo calado
Há mais falas
Do que em mil sarais."
Você diz, eu finjo que acredito, e amanhã será apenas uma lembrança esfumaçada entre outras.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Sessão dupla
Aproveitando o feriadinho niteroiense, peguei sessão dupla no CineArteUFF.
Primeiro: Che.
Gostei bastante, fui temendo que fosse um filme para acabar com a imagem do Che ou endeusa-lo demais, mais não foi nem um nem outro, o filme mostra um Che durão e as vezes seco, porém fragil devido a asma, sempre correto, justo e sério com seus ideais. É interessante ver como foi a vida dos guerrilheiros, a importancia que era dada a educação dos que estavam lutando (diga-se de passagem isso é mais focado no filme do que o proprio treinamento militar, o que sugere a intenção de mostrar mais o “lado positivo”), a relação dos combatentes com os camponeses, que propriciaram o apoio popular para que a revoluçao desse certo (e sem o qual fracassou em diversos lugares). O filme também não deixa de fazer uma critica pesada aos EUA, mostrando-o como culpado de muitos problemas cubanos, porém mostra que a intenção não é uma filiação automatica com a URSS, mas sim construir um pais livre. Enfim, bem bacana, e a continuaçao vem por aí.
Depois, A Festa da Menina Morta
Te falar: foi a estrela da noite.
O tipo de filme que no começo você não entende nada, depois se pergunta que raios está fazendo ali, de repende rola uma puta sacada legal, então uma cena te choca, e outra, e outra... Acontece um dialogo-monologo muito bom, parece que fez sentido, mas então muda de novo, e então acaba.
No final você sente que não entendeu nada, as luzes acendem e as pessoas se levam para ir embora em completo silencio. Será que gostaram, será que não? Nem eu sei bem, mas fato que voltei para casa pensando nele, em toda a relidade tradicional rural brasileira mostrada e que foi responsavel por muitos contorcionismos nas cadeiras, a mistura de religiosidades, a loucura de um santo vivo, que é quase uma primadona. O que pode se chamar de “cultura tradicional” sendo invadida tanto por uma coisa norte-americana, mas principalmente pela coisa norte americana já deglutida pelos grandes centros, e que ao chegar nessas areas é tranformado de novo. A questão do incesto de novo, que parece ser o tema do momento. E tudo isso é apenas mostrado, o filme não tem uma intenção clara de ser explicativo, apenas expõe o decorrer de dois dias naquele lugar, sem buscar explicar o porque das coisas serem daquele jeito, como uma passagem de tempo e posições de camera diferentes das usuais.
Talvez amanhã irei novamente lá, assistir Pachamama. Vamos?
segunda-feira, 18 de maio de 2009
E a Virada?
Caraguá é um lugar engraçado, onde não muda nada mas fica diferente, muda tudo e continua igual.
Diferente porque nos meus tempos em um ano inteiro não tinha a quantidade de shows e peças boas que teve agora em um único fds, ainda mais de graça. Diferente também porque os rostos, para o bem e para o mal, não são mais os mesmos: a pirralhada de antes cresceu e tá na rua, quem tava na rua antes caiu fora pra bem longe a tempos.
Igual porque é impossivel deixar de notar as questões politicas que ocorrem por debaixo dos panos para que um evento desse porte ocorra, sem contar a descarada propaganda de politicos sem mérito. Igual porque cantadas que já eram imbecis a dez anos atrás (como o famigerado “posso te conhecer”) continuam firmes e fortes. E igual também porque os vidas-lokas ainda existem e, pior ainda, se proliferaram, andando por aí encarando os outros de tal forma que você não faz idéia se o individuo quer ter pegar, assaltar ou bater * medo *.
Apesar disso, o clima da Virada em si foi muito bom, uma galera bem diferente misturada e muitas familias, o que me deixou feliz de perceber que não são as pessoas que são alienadas a questões culturais, mas sim que há uma falta muito grande de investimentos nesse setor, quando há oportunidade as pessoas comparecem.
Mas vamos a Minha Virada:
Foi muito boa, vi praticamente tudo que queria, e ainda ganhei brindes maravilhosos e inesperados pelo caminho.
Numa noite de 15° e três blusas de frio, comecei com Funk como le gusta, que infelizmente chegei muito tarde e só vi três ou quatro musicas, mas dei a sorte de vê-los descendo do palco e tocando no meio da galera, muito foda.
A proxima foi uma bandinha muito ruim de Santos, eu e a Kel aproveitamos a pausa para encher a barriga e entrar de bicão numa cerimônia de casamento que tava rolando por lá: saímos na filmagem e ainda descolamos duas paradinhas de fazer bolhinhas de sabão :).
Depois veio Havana Brasil, musica cubana e um pouco de sambinha, utilizei toda a minha (falta de) habilidade em salsa, adquirida na tenta cubana no FSM.
Em seguida Brasov, inesperado pois não estava na programação que eu tinha visto, foi muito bom, pena que curto.
No intervalo conhecemos um maluco filosofo e muito gente boa, que se amarrou nas nossas bolhinhas de sabão, e era hilario pois não conseguia fazer nenhuma, tadinho.
Duas horas seguidas, frenéticas e exaustivas de Monobloco, de esquentar tanto a ponto de eu ficar com só uma das blusas e me arrepender por não estar com uma de alcinha. Nunca imaginei que sentiria um espirito tão carioca em Caraguá.
Pra mim aí já tinha dado a noite, meus pés já tinham ido pro espaço, mas ainda ia ter Hangar e a Kel queria vê-los, então o jeito foi voltar pra casa as cinco da manhã.
Dia seguinte...acordar, tomar banho e partir pra curtir a Virada, desta vez com a família completa.
Perdemos a peça do meio dia, vimos um pouco de Peneirei o Fubá, tava curtindo, mas meus pais quiseram ir pro teatro, onde rolou uma apresentação de dança em que os dançarinos usavam o próprio corpo, o chão do palco e coisas com sacos de supermercado para fazer o som, muito maneira, mas confesso que cochilei um pouquinho pra aliviar o cansaço.
Depois teve Monica Salmaso, a mulher tem uma voz fantástica, e os músicos dela também são fodas, fiquei triste (e morrendo de vergonha) de sair antes de acabar, mas não queria perder o encerramento com o Moveis.
Ah, o Moveis...
Galera, me apaixonei. Aquele vocalista é um fofo, parecia que tava cantando pra mim, e eu cantando de volta pra ele. Foi lindo, foda, me acabei de pular, dançar e cantar (a ponto de abrirem espaço a minha volta. ¬¬). E quando acabou foi triste demais ver meu novo-amor-de-cinco-minutos ir embora, como algo que nunca chegou a ser... :(
E foi assim, minha gente.
Tô cansada a beça, minhas pernas doem horrores, a voz tá falhando, a corda dos trabalhos da faculdade apertando cada vez mais o meu pescoço, e sei que vou ficar devendo sono por uns bons longos dias...
Mas não me arrependo nenhum pouquinho: valeu a pena.
(o maior post desse blog, fato)
