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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Partida.

Saber a hora de se retirar é um dom.
Reconhecer o fim da performance, fazer reverencia ao publico e sair de cena.
Não estender além, não esperar mais do que situação poderia lhe proporcionar, aproveitar o que foi bom e seguir em busca do novo ato.
Perceber quando já pôde aprender tudo que era possível naquele lugar e seguir em frente.
Não esperar o fim de noite monótono após a freneticidade. Nem sempre devesse esperar o sol nascer, as vezes melhor é ir embora no escuro, antes do inevitável declínio.
Não há porque prorrogar o que já rendeu o que tinha de dar.

Basta dizer boa noite, e tchau.


Escrito em 17 de junho de 2010.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Há dez anos.

Andando na rua cruzei com o ultimo amor puramente platônico que tive na minha vida, daqueles de lembrar cada palavra trocada, apesar de a maioria não passar de um "empresta a borracha?". Uma vez tocou Spice Girls, ele sacaneou, falaram de Harry Potter, ele disse que odiava, mas mesmo assim eu perdi rios de lágrimas por aquele menino do corredor e das aulas de inglês.

Eu estava na sexta serie, ele na oitava, e, claro, me achava muito pirralha.
Sim, isso faz dez anos.

É assustador pensar que esse tipo de coisa se passou já fazem dez anos. Na época algo que tivesse se passado a tanto tempo era quase como algo de outra vida, naquela bruma da infância, já lembrar da Sara da 6° serie só parece um ontem muito distante.
Mas não, fazem 10 anos desde a ultima vez que estive apaixonada por alguém que sequer beijei.

A essa altura já fazem dez anos de tantas coisas, meu pai já fez 50, minha mãe quase, todo mundo está envelhecendo e isso nunca pára, o menino chamado Peter Pan, aquele que não queria crescer, agora esta cultivando barba e símbolos de juventude estão ficando calvos, a memoria já falha ou sequer recorda daquilo que jurei que nunca esqueceria. E isso nunca pára.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Maduras infantilidades.

Esses dias tive uma conversa muito estranha com uma menina de 4 anos, ela me dizia “quando eu era criança...” e eu tentava explicar pra ela que depois de adulto a gente ainda pode ter um apontador de tartaruguinha, ou uma joaninha de pelúcia, que ficar adulto não é deixar de ser criança.

É isso que eu quero nesses meus 22 anos recém completados, maduridade pra decidir, sem deixar que o serio vire feio, tendo coragem para fazer o que eu quero, e perceber que não devo satisfações pra ninguém alem das pessoas para quem eu decidi dar satisfações. Que em ultimo caso eu posso simplesmente bancar a menina maluca que sai correndo fugida pelas vielas do centro, de vestidinho, all star vermelho e asinhas de fadas, somente porque ficou de saco cheio, deu vontade, porque podia, ou porque veio uma musica na cabeça.

E foda-se.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

"Feliz 2009-ops-2010!"

Hoje, ao entrar no elevador, o porteiro me desejou "Feliz 2009-ops-2010!".

"2009 foi mesmo feliz!" respondi.

E não é que foi?
Não posso dizer que foi perfeito, que tudo aconteceu como eu queria, e que já me dou por satisfeita se a vida seguir esse ritmo. Pelo contrario, o ano começou de forma inesperada, e só me surpreendeu cada vez mais, se eu contasse o que iria acontecer para a Sara-de-31-de-dezembro-passado ela não acreditaria.

E só isso que eu peço para cada novo ano que vier: me surpreenda, me faça descobrir que gosto de coisas antes não imaginadas e que a vida não tem de ser exatamente como eu tinha planejado.

E nesse sentido 2010 já promete! Ah se promete!



Já eu, meu bem... eu não lhe prometo nada!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sobre o simples e o complexo.

Fico toda inquieta e ansiosa por ter de tomar decisões dificies e complexas, como se todo minha vida dependesse daquilo.

Já para as pessoas que estavam naquele onibus que "abraçou" uma árvore hoje de manhã a única decisão que importou foi decidir sentar na parte da frente ou na de trás do onibus.

Simples assim.



PS: escrevi o original desse texto na folha de instruções para os fiscais de prova do vestibular da UFF, enquanto fiscalizava a prova. Dobrei a folha e entreguei para a organização junto com o pacote das provas. Parabéns, Sara.

domingo, 20 de setembro de 2009

Em orbitação.

As vezes, ao se estar em um local com diversas pessoas, apesar de toda a pluralidade, ocorre uma ligação, como que um fio invisível que nos liga ao nosso "ponto de interesse", que pode ser completamente distinto do das demais pessoas. Ou seja, em um mesmo lugar existem inúmeros fios, ligando pessoas das formas mais diversas e inimagináveis.

Disso surge o que eu tenho chamado de "orbitação": o ponto de interesse se torna um centro de gravidade ao redor do qual efetuamos todas as nossas ações, sem conseguirmos nos livrar de tal campo gravitacional.

No processo sistémico todos orbitam ao redor de algo: as luas ao redor dos planetas, estes em torno das estrelas, etc. Porem se percebe que entre estes orbitadores há grandes diferenças de grau.

Acredito que a principio somos todos pequenas e insignificantes luas, mas a maioria deseja possuir também grande poder gravitacional. Se não é possível ser estrela - ou ser das pessoas desejadas - sejamos ao menos uma lua perdida, que foge de sua órbita e ambiciona a condição de planeta, mesmo que seja um planetinha bastardo como Plutão.


(caracá, esse ficou muito ruim)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Exibicionismo virtual.

Terça de manhã, sem ter o que fazer, considero a hipótese de criar um Twitter.
Cinco minutos depois, tá feito.
Era o tipo de coisa que sabia que iria acontecer, só não sabia quando, na hora que veio a idéia não tinha mais no que refletir, bastava fazê-lo.

Depois me perguntam: “Para que afinal serve esse Twitter?”
Não sei.
Mas começo a refletir sobre todo esse meu exibicionismo virtual.

Deixando claro: não faço stripper via webcam nem nada (alias, nem possuo uma webcam), mas um pessoa que possui Orkut (e sem trancar fotos), Fotolog, Blog, Flickr, um insipiente Facebook e agora Twitter não pode ser considerada do tipo reservada, não é?
Bem, até pode, tudo depende de como esses meios serão usados.
Não acho que os use da forma mais discreta, mas também não me explano totalmente, mas em todos eles a idéia é mostrar (logo, exibir) como eu sou.

Penso que funciona como uma certa troca: acompanho a vida de tantos via Internet que parece injusto não devolver nada.
Também acho interessante que alguém possa olhar aqui e se surpreender, encontrando uma pessoa diferente da que esperava (para melhor ou para pior). Supondo, é claro, que alguém possa se interessar pelo que penso/vivo/escrevo/vejo.

Mas a troca também acontece internamente, desenvolver um texto, escolher uma foto, tudo passava por uma auto-idéia que faço de mim mesma, e que se retroalimenta no processo.
Tudo nesse registro virtual fica como memória para tempos futuros, imagino se voltar a esse blog daqui a alguns anos (espero que o blogspot permita, neh) não terá a mesma sensação de encontrar um diário antigo dentro de uma caixa de mudança esquecida.
Acabo de ter a bizarra visão de meus filhos na frente de um computador super-moderno gritando “Meldeos!! MANHÊÊ! Tô chocado.” -> perceba que imagino meus filhos com trejeitos um tanto quanto gays (imagina eles lendo isso! kkk)

É isso, não bastava pensar sobre essa questão, tinha de exibi-la. :P

Ps: Obvio que não estou criticando ninguém, nem chamando a todos de exibicionistas virtuais, afinal, quem sou eu para atirar a primeira pedra?. Como já dizia o mestre, que bem que poderia ser meu pai, “viver e deixar viver”.

Ps2: Esquecendo o obvio: www.twitter.com/Sara_S2, follow me, hehehe