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domingo, 9 de junho de 2013

Pequenas pragas

Que chova de repente,
joguem areia no sorvete,
prenda alface no seu dente.

Que não cometa pecado, 
solte a sola do sapato,
diarreia  em pleno feriado.

Que o motorista não pare no ponto,
lhe mintam o desconto,
e você caia no conto.

Que em vez de beijo, abraço,
não resolva nem com despacho,
e o seu celular caia no vaso.

Que a depilação empelote,
acredite que não pode,
sua mãe lhe dê calote.

Que o namorado seja viado,
perca aquele trocado,
e mofe o seu baseado.

E que por fim você perceba
que não era eu o problema
e nem existe isso de sorte.  

sábado, 18 de setembro de 2010

Cof-cof-cof

A tosse vem, contínua, áspera.
O nariz pinica, escorre.
Gripe, doença, excesso de excesso.
Muito de desleixo, pouco de cuidado.
-Você está se alimentando bem, filha?
-Tôôô, mãe.

Dois reais na conta.
-Moço, qual é o melhor xarope para a tosse que você tem pelo mesmo preço?
-Esse aqui! Você vai gostar, ele é ruim para a tosse.
-Hein??Ha-ha, entendi, boa essa, hein! Passa no crédito, por favor.

Xarope: o doce artificial tentando dizer que a vida é boa, somente para encobrir o real sabor amargo do fim que durará até a manhã seguinte.

Mas além da cereja falsificada, o pior mesmo é ser um dos "casos raros" em que um componente da formula do xarope causa uma reação alérgica caracterizada por erupções acneformes.

Isso sim é maneiro.
Isso sim me faz me sentir especial.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sobre santos e feijão.

Olhando para o Santo Antônio gigante sobre a cidade minha vó suspira:

"Oh meu Santo Antônio, arruma um marido rico pra minha neta, que nem um feijão essa menina sabe fazê!"

...

Abro o armário da cozinha:
Queijo ralado, chá, "erba" mate, dois pacotes de café: o bom e o ruim, duas garrafas de vinho: o bom e o ruim, uma lata de cappuccino vencida, sopa Vono, meio pacote de macarrão ("mãe! Ontem fiz macarrão pela primeira vez na vida!") e alguns temperos.

...

"Oh meu Santo Antônio, me arruma um marido rico, que nem um feijão eu sei fazê!"


(Vó, o Santo Antônio anda meio carregado, por via das duvidas vamô reza também pro santo protetor dos cientistas sociais ateus pra me arrumar um mestrado com bolsa?)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Letargia.

O seu cheiro que mal se sente mais no meu travesseiro, o lixo dos restos da mudança que não quero mais depositados no meio da sala-quarto, inacabados pela falta de vontade de dar um fim neles, a caneta que falha e me obriga a escrever de lapis ("você escreve igual arabe! De tras pra frente no caderno..."), a garganta inflamando como uma desculpa não satisfatoria para me manter dentro de casa ao inves de ir resolver a vida, após a tentativa frustrada de ontem sob a chuva...

Nada disso faz sentido, são apenas sensações soltas pelos cantos, como a louça que devo lavar para evitar as baratas.

Letargia.
Quando a minha vida vai começar de novo?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sobre o simples e o complexo.

Fico toda inquieta e ansiosa por ter de tomar decisões dificies e complexas, como se todo minha vida dependesse daquilo.

Já para as pessoas que estavam naquele onibus que "abraçou" uma árvore hoje de manhã a única decisão que importou foi decidir sentar na parte da frente ou na de trás do onibus.

Simples assim.



PS: escrevi o original desse texto na folha de instruções para os fiscais de prova do vestibular da UFF, enquanto fiscalizava a prova. Dobrei a folha e entreguei para a organização junto com o pacote das provas. Parabéns, Sara.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

No caminho

De noitinha, voltando para a casa, me deparo com um homem de meia idade, negro, mocassins marrons, camisa da seleção, jeito bebado, sentado na calçada, olhando um livro:
(Murmura) - Socialismo, comunismo...
(Me nota) - Marx não é só comunismo não, viu!? Não é só comunismo não...!
Você conhece Karl Marx?
- Conheeeço.
- Qual é o seu partido?
- Ahnn... eu sou independente.
- PT! PT! Lula-Brasil, Lula-Brasil!!!

Apertamos as mãos e vou embora.
Um cara que diz que Marx não é só comunismo merecia até um abraço.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Um mundo embaixo da cama.

Agora mesmo, embaixo da minha cama, tem um monte de coisa que não faço idéia, e tenho medo de descobrir o que é.

Provavelmente: aqueles um pé de meia que nunca acho o par, texto da faculdade, flyer de propaganda e festas de meses atrás, prendedores de cabelo mil, um colchão inflável pego emprestado da amiga para acampar nas ferias e ainda não devolvido, sandália, um colchonete, roupas, escova de cabelo, caixa de sapato com a bota que a vó comprou no brechó e, obviamente, muita poeira, papel de bala e lenços de papel.

Tô cogitando dar uma olhadinha para ver se encontro minha blusinha azul-marinho quase nova que sumiu a meses...

Mas, e o monstro?
O tal Monstro-de-Debaixo-da-Cama?
Foi embora por falta de espaço...
(saudades do monstro...)


Ps: Esse foi o primeiro “novidade antiga”, começando de forma tímida.

Ps2: Meses depois devolvi o colchão da Aline, achei a tal blusa azul, embaixo de outra cama tão caótica quanto, a da minha irmã, e limpei aí em baixo umas duas vezes.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pequenos-grandes dilemas de sexta a noite

Por que meia calça é um troço tão delicado de vestir? Mesmo eu tendo comprado a minha num tamanho gigante por engano (sempre jurei que era tamanho único) a parada é tão justa e fina que minhas unhas nada feitas são uma séria ameaça a desfiá-la.
Ok, meia calça a postos.
Por que logo depois de vesti-las a batata da perna cisma em coçar desesperadamente?
Olho no espelho a visão cômica de um ser apenas com meia-calça até a altura do umbigo, a estampa da calcinha através da transparência.
Bom, antes no umbigo do que marcando meu quadril.
O short preto? Não, a meia já é muito escura. O jeans então.
Cadê a blusa nova?
Será que vão notar que minha blusa é da Leader?
Tipo, se alguém notar é porque entrou na Leader, então foda-se.
Será que alguém vai notar que minha blusa é da Leader, o short é da C&A e a meia é da Renner??
As chances de dar de cara com outra menina com a mesma blusa são tipo 10%, e convenhamos que essa é uma porcentagem muito grande, no que se refere ao pé no saco que é uma pessoa vestida igual você.
Pior, e se a blusa ficar melhor nela? Tomara que seja gorda.
Mas pelo menos o sapato é da Melissa, talvez salve alguma coisa...
Calço os sapatos.
Acabam de bater o recorde de tempo para um sapato machucar meu pé. Fuck.
Decido tirar os sapatos e o short, para ver como fica com o short preto.
Não. Me meto no jeans de novo.
E se ao invés de sapatos for com o All Star?
Aff, pareço um palhaço.
Mas ficam absurdamente mais confortáveis. Afinal a idéia não é se acabar de dançar?
Calço as Melissas de novo.
Abro o armário para ver se por acaso uma blusa linda e maravilhosa não salta de lá de dentro...Nada.
Desencana, vou partir pro cabelo que logo a Bárbara passará aqui, e tenho de descobrir como me maquiar apenas com a luz do abajur, já que a do teto queimou.
Interessante também seria se eu soubesse onde está meu lápis preto.
Esperar a chapinha esquentar.
Nota: Não esquecê-la ligada, para variar. Incendiar a casa é o tipo de coisa que pode estragar a noite.
Bárbara ta vindo pra cá e trazendo Yakisoba para ela. Será que peço para trazer pra mim também? É bem a minha cara sujar a blusa de molho, deixa quieto.
Depois de cinco minutos esperando, descubro que a chapinha está desligada.
Nota: Desligar a chapinha DEPOIS de usá-la, não antes.
Engraçado, hoje o cabelo parece estar bom
Diferente da pele que,pra variar, está horrível. Ai ai, queria me maquiar com Photoshop!
Hum, passar a maquiagem no banheiro resolve o problema da luz. Mas não o das espinhas (é só base Sara, não milagre).
Assim que espalho o corretivo ao redor dos olhos e em cima das inúmeras espinhas, parecendo um panda pintado, simultaneamente a Bárbara chega no portão e o menino que mora comigo chega com mais dois outros desconhecidos. Tenho de sair do banheiro meio panda, meio borrada. E mesmo assim os nerds babões me olharam como se nunca tivessem visto mulher na vida (talvez seja verdade...), o que ajudou bastante a minha autoestima, muito obrigado.
Quilos de corretivo, base, pó, blush e rimel fazem parecer como se estivesse de cara limpa se não estiverem juntos com o lápis preto. Shit.
No claro o cabelo não parece mais grande coisa...
Pela primeira vez na vida uso um lápis marrom...
Bárbara esta me mostrando três blusas diferentes, indecisa.
Escolheu a preta.
Trocou pra branca...
Passou a maquiagem e agora está tirando.

É, somos todas iguais.

Beijos, não me esperem acordados.

(Na verdade, o cabelo tá horrível.)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

"Q" filosófico?

É precisamente nas ultimas horas antes de a lâmpada queimar, e sua luz se extinguir completamente, que ela brilha com mais intensidade.


Tá, e você com isso?
Você eu não sei.
Eu, em breve, estarei no escuro.


(Mas pensando com generosidade até que isso tem um "Q" filosófico,vai...)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Quem bate? É o frio.

Hoje deve ter sido o dia mais frio do ano até então (pelo menos assim eu o senti).
Se a dois meses atrás o edredom de outono saiu do armário, unindo-se ao fino lençol de verão, hoje é o dia de chamar o cobertor de inverno para com eles somar forças.

Hoje será dia de dormir quentinha e enroladinha.

Alias, enroladinha é a única semelhança entre eu a pessoa que está dormindo na minha calçada, em cima de folhas de jornal, com o corpo e cabeça cobertos por um misero lençol.
Do frio que reclamei o dia inteiro, a cada ventinho que batia, apenas porque reclamar do frio é uma das maneiras de curti-lo, esta pessoa sentirá de verdade, a noite inteira, sem cessar.

E eu estarei quentinha.

Sinto-me uma babaca por tolerar tudo isso, e completamente impotente por não poder fazer nada por quem sofre tão próximo de mim.


Ps: Sinto que não sei ter um blog, de repente me dá vontade de postar uma pá de coisa num dia só - mas esse eu tinha de escrever.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Nas mãos.

Na aula de sociologia, em uma pausa dos delírios bem vindos do professor, me distraio olhando para minha mão: nela diversos pontinhos coloridos (laranja, rosa, vermelho, roxo, verde...) das canetas que uso para grifar textos. Que menina estudiosa, quanta dedicação! Sinto-me orgulhosa.

Olho para a garota na mesa ao lado, na mão dela um bilhete para o namorado: “te amo”, coração, coração, coração...

Torno a olhar para a minha mão...
Que merda de mão!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Penitência II.

Após os noves dias de banho frio, e do conserto do chuveiro, foi a vez da internet me abandonar.
Quando estava refletindo sobre qual das duas privações era maior castigo, o acaso/azar/zica-do-caralho vem por fim as minhas indagações: o chuveiro queimou de novo. VDM.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Bizarrices desse cotidiano carioca

Tô com fome, e não tem nada comestível por aqui...
Tinha de ir na padaria, (“uma baguete, uma coca, e 100g de queijo prato”, me anteciparia o atendente).
Porem não parece uma boa idéia, uma vez que estou ouvindo uns tiros e gritaria aqui perto, já fazem meia hora, e ouvi a vizinha comentando sobre um movimento sinistro de motos na rua.

Mas tô com fome...
Droga.