domingo, 18 de outubro de 2009

Procura-se bom-senso:


Visto pela ultima vez amarrado na ponta de uma linha, também desaparecida.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Em um Agosto atrás.

Lábios se tocam pela primeira vez, "eu quis fazer isso a noite toda", ele diz, eu penso.
Nossas bocas se unem outra vez,e outra, e outra...Diversos graus de intensidade, horas a fio, estar em outro lugar parece inconcebível.
Olhos nos olhos tentam decifrar quem é esse outro. Boca na boca, até meus lábios incharem, seu maxilar estalar, nosso fôlego faltar e, por fim, sermos mandados embora, pelos outros, pela hora, e por nossos estomagos, única parte do nosso corpo que egoistamente conspira para não nos manter juntos.

domingo, 20 de setembro de 2009

Em orbitação.

As vezes, ao se estar em um local com diversas pessoas, apesar de toda a pluralidade, ocorre uma ligação, como que um fio invisível que nos liga ao nosso "ponto de interesse", que pode ser completamente distinto do das demais pessoas. Ou seja, em um mesmo lugar existem inúmeros fios, ligando pessoas das formas mais diversas e inimagináveis.

Disso surge o que eu tenho chamado de "orbitação": o ponto de interesse se torna um centro de gravidade ao redor do qual efetuamos todas as nossas ações, sem conseguirmos nos livrar de tal campo gravitacional.

No processo sistémico todos orbitam ao redor de algo: as luas ao redor dos planetas, estes em torno das estrelas, etc. Porem se percebe que entre estes orbitadores há grandes diferenças de grau.

Acredito que a principio somos todos pequenas e insignificantes luas, mas a maioria deseja possuir também grande poder gravitacional. Se não é possível ser estrela - ou ser das pessoas desejadas - sejamos ao menos uma lua perdida, que foge de sua órbita e ambiciona a condição de planeta, mesmo que seja um planetinha bastardo como Plutão.


(caracá, esse ficou muito ruim)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

No caminho

De noitinha, voltando para a casa, me deparo com um homem de meia idade, negro, mocassins marrons, camisa da seleção, jeito bebado, sentado na calçada, olhando um livro:
(Murmura) - Socialismo, comunismo...
(Me nota) - Marx não é só comunismo não, viu!? Não é só comunismo não...!
Você conhece Karl Marx?
- Conheeeço.
- Qual é o seu partido?
- Ahnn... eu sou independente.
- PT! PT! Lula-Brasil, Lula-Brasil!!!

Apertamos as mãos e vou embora.
Um cara que diz que Marx não é só comunismo merecia até um abraço.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Um mundo embaixo da cama.

Agora mesmo, embaixo da minha cama, tem um monte de coisa que não faço idéia, e tenho medo de descobrir o que é.

Provavelmente: aqueles um pé de meia que nunca acho o par, texto da faculdade, flyer de propaganda e festas de meses atrás, prendedores de cabelo mil, um colchão inflável pego emprestado da amiga para acampar nas ferias e ainda não devolvido, sandália, um colchonete, roupas, escova de cabelo, caixa de sapato com a bota que a vó comprou no brechó e, obviamente, muita poeira, papel de bala e lenços de papel.

Tô cogitando dar uma olhadinha para ver se encontro minha blusinha azul-marinho quase nova que sumiu a meses...

Mas, e o monstro?
O tal Monstro-de-Debaixo-da-Cama?
Foi embora por falta de espaço...
(saudades do monstro...)


Ps: Esse foi o primeiro “novidade antiga”, começando de forma tímida.

Ps2: Meses depois devolvi o colchão da Aline, achei a tal blusa azul, embaixo de outra cama tão caótica quanto, a da minha irmã, e limpei aí em baixo umas duas vezes.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Justificativas, novidades antigas e cara de pau.

Pois é, ultimo post aqui já tem quase um mês.
(comoassim)

Para tudo há justificativas: férias, vida corrida, computador surtado, mudança vai-não-vai, trabalho.
Depois de uma brevíssima temporada em Caraguá, do tipo que quebrou muita coisa e vínculos, voltei a Nity, trabalhei na SBS, não mandei até agora o resultado do trabalho devido ao piti do PC, iniciei meu trabalho de campo em Antropologia quase que como um mergulho em plena Baía de Guanabara, vi minha conta bancaria tender a zero, senti o coração bater mais forte e mais fraco, tive vontade de sair correndo de onde não posso, recebi minha primeira bolsa de IC, fui infantil, tentei me mudar de casa duas vezes sem êxito, e espero que enfim amanhã dê tudo certo, já está mais do que na hora de encerrar esse periodo de vida em stand by.
Percebesse que quase não tive férias, então, após o piti inicial, até que estou feliz de a tal H1N1 estar me propiciando um tempinho para respirar e botar as coisas em dia.
Discreta e resumidamente, foi isso.

A "novidade antiga" desde blog é que estou inaugurando uma nova tag, justamente com esse nome (que não ia ter esse nome até que saiu escrito agora, seria algo como "no baú", ou coisa assim)
Ao encaixotar as coisas para a mudança encontrei em finais de cadernos e folhas soltas alguns textos, escritos em desabafo, relacionados ao momento em que foram escritos, e que não coloquei aqui por serem muito reveladores, demasiadamente bobos, ou por achar que não valiam a pena, mas que agora tirados de seus contextos e olhados a distancia até que dá para encarar, e portanto iram param nesta nova tag.

Sim, fiquei quase um mês sem postar para vir dizer que colocarei textos escritos a meses.
Sim, eu sei que é muita cara de pau da minha parte.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sessão dupla III

Dia de sessão dupla no CineArteUFF novamente.

Desta vez fui sozinha e caminhando até Icaraí, com a estranha e pacificadora sensação de que talvez Niterói esteja se tornando, pelo menos um pouco, a minha cidade. Sensação confirmada ao chegar a praia de Icaraí, e me deparar com a familiar visão do mar batendo na areia, que me remeteu direto ao meu canto solitário favorito em Caraguá, e encheu meu coração.


Não sei se estou num clima de TPM tardia, mas os dois filmes me tocaram muito e chorei nos dois (vantagens do cine solitário, a desvantagem é que sempre algum casalzinho se senta perto de mim).



Primeiro,
A Garota Ideal

O filme conta a historia de um rapaz solitário que se apaixona por uma boneca inflável. Olhando essa sinopse imaginei uma comedia meio pastelão, cheias de cenas patéticas em que um nerd panaca tenta comer a tal boneca inflável.

Mas não, o filme é um dos mais doces e meigos que já vi nos últimos tempos, o amor dele é completamente puro, acredita que ela é uma garota de verdade, cria uma historia para a “moça”, leva ela pra conhecer a família, em festas, etc e não a toca com conotação sexual: ela é uma moça de família, e ele respeita isso.

Se para ele ela é a moça perfeita já para a família e para a pequena comunidade em que vive é mais difícil aceitar o fato, boa parte da trama é sobre como as pessoas passam a aceitá-la porque quererem o bem dele, e de como ela se incorpora na vida

local, se tornando algo exterior a ele.

Além de tudo tem cenas impagáveis, de realmente rolar de rir, seja pela doçura, pelo inusitado ou pelo espanto.


Depois, Jean Charles


Bom, esse todo mundo já deve ter ouvido falar, neh?

A historia de Jean Charles de Menezes (interpretado por Selton Mello), mineiro imigrante brasileiro em Londres, que foi confundido com muçulmano e assassinado pela Scotland Yard no metrô londrino, durante uma operação antiterrorismo (como se o fato de ser muçulmano justificasse algo...).

A vida de uma pessoa comum marcada por um fato fora do comum: podia resultar num filme muito ruim, ou muito bom. Conseguiu ser o segundo, com certeza.

Jean Charles é apresentado como o tipo de protagonista que você consegue gostar, tem um pouco a coisa do herói sem nenhum caráter, um jeitinho malandro brasileiro, mas também é super gente boa, família, e ajuda a todos, de tal forma que você fica torcendo que ele não se estrepe em meio as suas falcatruas, que na verdade são apenas meios de se virar.

De coadjuvantes ficam seus primos, a mais nova que acabou de chegar do Brasil e faz, digamos, a segunda protagonista, o primo que é uma figuraça completa, cheio da gíria, estouradinho, mas que faz a melhor analise dos atentados terroristas apresenta no filme e no final dá uma tirada formidável nas autoridades britânicas, e mais uma prima, que fica por ali de coadjuvante dos coadjuvantes.

Mostra a comunidade brasileira em Londres, como vivem, em que trabalham, a relação de identificação apenas pelo fato de ser do mesmo pais. Tem muitos que são peões de obra, as mulheres que trabalham vendendo comida, as prostitutas, o cara que se deu bem, o garoto que sai do interior para se assumir...

O fantástico do filme é dar a esse figura cuja o nome já soa familiar uma vida e uma personalidade, ele não apareceu naquele metrô do nada, era uma pessoa que viveu como todos vivemos em nossos microcosmos, e que de repente foi englobado pelo cosmo maior, global. Serve de lembrete para a importância da política: mesmo que não nos importemos ela pode nos pegar.

E obviamente serve de lembrete para a injustiça cometida e nunca punida. Fato que atentar para isso e exigir justiça é a intenção do filme, ao fazê-lo contou-se uma bela historia, que certamente sensibilizará muitos, e estou torcendo para que surta efeito.

Só achei que faltou colocar no final a foto do proprio Jean Charles, então coloco eu: abaixo, fotografia do memorial a ele em Londres.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Exibicionismo virtual.

Terça de manhã, sem ter o que fazer, considero a hipótese de criar um Twitter.
Cinco minutos depois, tá feito.
Era o tipo de coisa que sabia que iria acontecer, só não sabia quando, na hora que veio a idéia não tinha mais no que refletir, bastava fazê-lo.

Depois me perguntam: “Para que afinal serve esse Twitter?”
Não sei.
Mas começo a refletir sobre todo esse meu exibicionismo virtual.

Deixando claro: não faço stripper via webcam nem nada (alias, nem possuo uma webcam), mas um pessoa que possui Orkut (e sem trancar fotos), Fotolog, Blog, Flickr, um insipiente Facebook e agora Twitter não pode ser considerada do tipo reservada, não é?
Bem, até pode, tudo depende de como esses meios serão usados.
Não acho que os use da forma mais discreta, mas também não me explano totalmente, mas em todos eles a idéia é mostrar (logo, exibir) como eu sou.

Penso que funciona como uma certa troca: acompanho a vida de tantos via Internet que parece injusto não devolver nada.
Também acho interessante que alguém possa olhar aqui e se surpreender, encontrando uma pessoa diferente da que esperava (para melhor ou para pior). Supondo, é claro, que alguém possa se interessar pelo que penso/vivo/escrevo/vejo.

Mas a troca também acontece internamente, desenvolver um texto, escolher uma foto, tudo passava por uma auto-idéia que faço de mim mesma, e que se retroalimenta no processo.
Tudo nesse registro virtual fica como memória para tempos futuros, imagino se voltar a esse blog daqui a alguns anos (espero que o blogspot permita, neh) não terá a mesma sensação de encontrar um diário antigo dentro de uma caixa de mudança esquecida.
Acabo de ter a bizarra visão de meus filhos na frente de um computador super-moderno gritando “Meldeos!! MANHÊÊ! Tô chocado.” -> perceba que imagino meus filhos com trejeitos um tanto quanto gays (imagina eles lendo isso! kkk)

É isso, não bastava pensar sobre essa questão, tinha de exibi-la. :P

Ps: Obvio que não estou criticando ninguém, nem chamando a todos de exibicionistas virtuais, afinal, quem sou eu para atirar a primeira pedra?. Como já dizia o mestre, que bem que poderia ser meu pai, “viver e deixar viver”.

Ps2: Esquecendo o obvio: www.twitter.com/Sara_S2, follow me, hehehe

domingo, 12 de julho de 2009

"Não trepe na janela"

10/07 - Festa do Bigode - Hotel Paris

Adentramos, “Bien vinda ao Hotel Paris, chica!” diz Gabi.
Tomo um encontrão de um cara, que derruba quase meia cerveja o meu braço.
Nice, essa noite promete.

Na trilha sonora indo de o que ocupou boa parte do meu baú adolescente, musiquinhas pornográficas que por algum motivo pouco explicável inundavam as festinhas infantis nos anos 90, clássicas desse tipo de festa, até Tim Maia, Los Hermanos, Xuxa e uma animada quadrilha da galerinha que “só sai daqui quando o DJ também sair”.

Poucos espaço, muita gente, todo mundo meio doidão, seja de caipirinha à três reais, fumaças multicoloridas ou sei lá mais o que. A paixão autoconsuptiva e todas as formas de amor rolando soltas. Historias que tem tudo para virarem lendas urbanas (“não trepe na janela”). Novas tradições, e muitos “caracá!”, “que que eu fiz!?”, “meoldeos!” e “uhuuu!”.

Sobre as roupas portadoras de todo o dilema do post anterior duas situações.
(1) Um amigo me abraça pela cintura e percebo que ele esta sentindo sob a blusa a super-meia-calça-quase-que-sutian, não consigo me controlar e tenho de informá-lo “isso é uma meia, não uma calçola-super-grande, tá?”. ¬¬
(2) Conversas de fim de noite, Garoto 1 “ Que maneira essa sua blusa, cheia de corações, isso mostra que você é uma pessoa aberta ao amor (em estilo “pegael”)”. Garoto 2 “É...maneira. Onde você comprou? Sabe, acho que fui eu que desenhei essa blusa. Eu sou designer, sabe?”. O.o

Seis da manhã na Presidente Vargas, vendo a Candelária ainda iluminada com o fundo de um nascer do sol fantástico, e esperando o ônibus na faixa errada, até sermos informadas, por dois outros admiradores da paisagem também em fim de noite, que o onibus passava era do outro lado, no sentido contrario, “Olha lá, tá vindo um. Corre!”. Eles eram legais, não possuíram nomes, nunca mais os veremos.

É queridos, a noite prometeu, e cumpriu.
(E como!)