terça-feira, 1 de março de 2011

Liberdade às avessas

Tudo é permitido:
Beijar, morder, arranhar, gemer, falar, apertar.

Só o frio na barriga é proibido.



(03/09/10)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Saudade estranha, chata.
Não sei de quê.
Do que já vivi?
Do que ficou?
Do velho?
Do novo inventado em historias para dormir de gente pequena que já deveria ser grande?

Medo de que o velho não tenha espaço no novo real, esse que não é inventado, mas que vem e te leva, atropela, sem que se dê conta e possa pedir por socorro.
Medo de que tudo seja mais do mesmo.
Medo de que o mesmo não tenha lugar no novo.
Medo de o bom velho me abandonar de tal forma que só reste esse estranho novo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Partida.

Saber a hora de se retirar é um dom.
Reconhecer o fim da performance, fazer reverencia ao publico e sair de cena.
Não estender além, não esperar mais do que situação poderia lhe proporcionar, aproveitar o que foi bom e seguir em busca do novo ato.
Perceber quando já pôde aprender tudo que era possível naquele lugar e seguir em frente.
Não esperar o fim de noite monótono após a freneticidade. Nem sempre devesse esperar o sol nascer, as vezes melhor é ir embora no escuro, antes do inevitável declínio.
Não há porque prorrogar o que já rendeu o que tinha de dar.

Basta dizer boa noite, e tchau.


Escrito em 17 de junho de 2010.

sábado, 18 de setembro de 2010

Cof-cof-cof

A tosse vem, contínua, áspera.
O nariz pinica, escorre.
Gripe, doença, excesso de excesso.
Muito de desleixo, pouco de cuidado.
-Você está se alimentando bem, filha?
-Tôôô, mãe.

Dois reais na conta.
-Moço, qual é o melhor xarope para a tosse que você tem pelo mesmo preço?
-Esse aqui! Você vai gostar, ele é ruim para a tosse.
-Hein??Ha-ha, entendi, boa essa, hein! Passa no crédito, por favor.

Xarope: o doce artificial tentando dizer que a vida é boa, somente para encobrir o real sabor amargo do fim que durará até a manhã seguinte.

Mas além da cereja falsificada, o pior mesmo é ser um dos "casos raros" em que um componente da formula do xarope causa uma reação alérgica caracterizada por erupções acneformes.

Isso sim é maneiro.
Isso sim me faz me sentir especial.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Um pouquinho sobre trabalho de campo.

Há alguns anos levei minha irmã a uma dessas feiras para fans de anime e coisas japonesas, daquelas cheias de gente fantasiada (e estranha).
Eu já estava careca de ver os mangás dela espalhados pela casa, e de saber que aquilo se lê folheando de trás para frente. Sendo assim, encostei em um stand e comecei a folhear alguns... do modo ocidental!
E, claro, o cara da banquinha me olhou com todo o desprezo de quem vê uma noob que certamente não faz a menor idéia de como foi parar ali.

E o trabalho de campo é exatamente assim: você sabe tudo na teoria, sabe como fazer isso ou aquilo, o que é mortalmente errado fazer, mas na hora entra no automático e faz como sempre fez a vida toda.

Ah se fosse facil desintrojetar a cultura!



(e amanhã eu volto ao campo, para a minha alegria e desespero)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sobre santos e feijão.

Olhando para o Santo Antônio gigante sobre a cidade minha vó suspira:

"Oh meu Santo Antônio, arruma um marido rico pra minha neta, que nem um feijão essa menina sabe fazê!"

...

Abro o armário da cozinha:
Queijo ralado, chá, "erba" mate, dois pacotes de café: o bom e o ruim, duas garrafas de vinho: o bom e o ruim, uma lata de cappuccino vencida, sopa Vono, meio pacote de macarrão ("mãe! Ontem fiz macarrão pela primeira vez na vida!") e alguns temperos.

...

"Oh meu Santo Antônio, me arruma um marido rico, que nem um feijão eu sei fazê!"


(Vó, o Santo Antônio anda meio carregado, por via das duvidas vamô reza também pro santo protetor dos cientistas sociais ateus pra me arrumar um mestrado com bolsa?)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Algo

Quero algo estimulante, algo empolgante, algo para dar vontade de desapoiar a bochecha - já marcada por um circulo vermelho - da mão, quero um pouco de sexo, talvez outro cigarro, um lugar novo, uma historia diferente.

Preguiça de viver.

Já sei: vou comer um Danone!


Da mesma época do post anterior, o nome de tanta inquietação?
Tédio.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Alguém

Alguém para acompanhar nos programas de índio.
Alguém para cozinhar junto nos domingos, pra mandar mensagem de boa noite, pra ver filminho no DVD.

Pra dividir o silêncio.

Pra desejar boa sorte, fazer cafuné, andar de mãos dadas, beijar de dia, chamar de apelidinho, fazer amor preguiçoso a tarde, segurar protetoramente a minha cintura, pra poder ser sincera.


Sim, eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida, apesar de sempre ter achado essa idéia assustadora e pouco desejavel.


18 de abril de 2010.
(Sara assustando os menininhos.)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Se eu falo alto é para me esconder.
Ponho meus fones e finjo que o mundo não existe.
Nada melhor para chamar a atenção do que querer sumir.